A experiência empreendedora de Priscila Tescaro

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Priscila Tescaro é uma inquieta. Mesmo com algumas experiências importantes no mundo corporativo, volta e meia sempre tinha uma ideia de empreender e se arriscava para colocar suas ideias em prática. Sua veia empreendedora sempre esteve presente e, depois de algumas tentativas e frustrações no trabalho, fundou sua consultoria para ajudar empreendedores em 2012. Hoje trabalha boa parte do tempo em seu home office, é feliz e sente que está realizando seu propósito. Mesmo trabalhando mais do que em outras épocas da vida, se sente bem e gosta do que está fazendo. Conheça um pouco mais da entrevistada de hoje.

 – para quem não te conhece, quem é Priscila Tescaro?

A Priscila é 4 em 1. Mãe, mulher, empreendedora e esposa. Não tem uma ordem definida e eu assumo cada papel de acordo com a necessidade do momento. Já quis ser um único papel, mas a vida me mostrou que é impossível… Por isso, atualmente, eu assumo que sou 4 em 1 e mudo a pele de acordo com a situação, o que o momento pede.

– no que você já trabalhou?

Se for contar desde antes da faculdade, fiz várias coisas. Na comunicação, que é minha maior experiência, já atuei como Assessora de Imprensa para políticos, trabalhei em campanhas eleitorais, fiz produção de rádio, trabalhei como Assessora de Vereador, fui jornalista responsável de revistas, passei um bom tempo em redação de jornal como repórter de várias editorias e também fui Colunista Social – uma das partes mais engraçadas da minha vida!!! Entre um emprego com carteira assinada e outro, tive duas empresas com amigas, uma que era responsável pela assessoria de imprensa de uma dupla de promoters que realizava festas o ano todo na região de Americana; e outra empresa que administrava várias contas de empresas da cidade, como a maior boate de lá, pizzarias, etc.

Desde que mudei para Porto Alegre, em 2007, atuei em agências de comunicação e na Secretaria Estadual da Educação.

– no que trabalha hoje?

Hoje eu trabalho exclusivamente na minha empresa, a Priscila Tescaro Consultoria para Empreendedores, mas trabalho PARA empreendedores, então eu trabalho para várias pessoas…

– você empreende desde 2002. Como foram as experiências e o que aprendeu com elas?

As experiências anteriores aconteceram por um impulso da juventude, de tentar fazer algo diferente do que já tinha experimentado até aquele momento. Confesso que saí um pouco traumatizada da minha última empresa, pela falta de conhecimento que tinha na época, por ter que lidar com sócio, por estar em sintonias diferentes com a pessoa com quem decidi montar a empresa.

Foram oportunidades para eu aprender como é a vida sem chefe. Na época eu conclui que não poderia viver naquele formato, pois eu realmente não tinha foco e me dispersava facilmente.

– você já largou emprego fixo para tentar ser empreendedora. Como lidou com isso? Sentiu muito medo?

Sim, já fiz essa escolha. Tive medo, pois tinha mais responsabilidades que na época em que morava na casa dos meus pais, não tinha filho. Mas eu precisava “dar meu grito de liberdade” e não queria mais estar em um local que tinha valores bem diferentes do meu. E isso, pra mim, conta muito! Optei por sentir esse medo, mas ser fiel ao que aprendi com meus pais e o que quero passar para o Pietro.

– com a experiência que adquiriu, você faria isso novamente?

Claro!!! Sempre e sempre. No início, o frio na barriga é diário, 24 horas. Mas a certeza de ter feito a coisa certa e ter tirado um peso de 200 toneladas das costas, não tem preço. Prefiro mil vezes esse frio na barriga, do que estar em um lugar que não me sinto confortável.

– com sua experiência tentando empreender, você indicaria para alguém que quer empreender largar seu emprego fixo ou acha melhor iniciar o projeto enquanto ainda está trabalhando e ir vendo o resultado?

Não recomendo não. Planejar o negócio enquanto ainda está trabalhando é  mais indicado para dar o próximo passo com consciência. É importante ter uma reserva financeira para o início, imaginar como será seu dia a dia, conversar com outros empreendedores que fizeram o mesmo. Enfim, é importante segurar o impulso de jogar tudo pro alto e sair empreendendo. Dar um passo de cada vez é o que sempre recomendo.

– você me comentou que o nascimento do seu filho, em 2009, foi um divisor de águas na tua vida. O que aconteceu depois disso profissionalmente?

Depois que o Pietro nasceu, eu abri mão do meu emprego no Governo do Estado, pois seria impossível conciliar meu filho pequeno e o dia a dia que meu cargo exigia. Enquanto estava em licença maternidade comecei a procurar um novo emprego e, quando o Pi tinha 6 meses, comecei a trabalhar em uma agência de comunicação.

– em um dos empregos você disse que tinha um salário incrível, mas mesmo assim sofria. Como foi essa experiência? Te fez repensar a questão financeira na sua vida?

Foi o último emprego antes de iniciar minha empresa. Mas eu não tinha vida. Meu marido me pegava no trabalho e eu entrava no carro chorando. E ia trabalhar chorando….. Me diz se isso é vida. Era um salário incrível para quem tem filho pequeno, paga escola em turno integral, etc. Poderia ter um pouco mais de conforto para todos nós, mas meu nível de estresse não dava conta. Se eu fosse mais nova, talvez conseguisse passar por tudo aquilo sem sofrer tanto. Mas, com a idade que eu tinha, com marido e filho, não tinha condições emocionais de viver daquele jeito.

Foi nessa época que comecei a repensar toda minha vida. Precisei fazer escolhas e uma delas era viver com menos. Mas não com menos qualidade. Com menos apego, com menos consumo desnecessário. Não era apenas uma questão de repensar a minha vida financeira, mas a minha vida como um todo.

– foi nesse trabalho que você teve certeza que seu futuro era ser empreendedora? Teve algum momento ou dia que te fez tomar essa decisão ou foi o conjunto?

Sim, foi nesse trabalho que decidi ser livre de qualquer rótulo e empreender. Não teve um dia específico, mas um acúmulo de sentimentos, experiências, sensações ruins, que tive que tomar uma decisão. Chegou um dia que precisei dar um basta. Entrei na agência de manhã como funcionária e sai à tarde como empreendedora.

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– nisso você trabalhou em uma instituição sindical enquanto pensava o que fazer do seu futuro? 

A Federação surgiu já no momento em que estava estruturando a Consultoria. Foi importante para ter um fôlego extra na criação da Consultoria. Mas sabia que seria temporário, para ter a coragem de me lançar de vez no mundo empreendedor em definitivo.

– e como surgiu a ideia de criar a Priscila Tescaro Consultoria? 

A empresa já estava engatinhando, tinha um cliente e conheci um grupo de empreendedoras de Porto Alegre – a Confraria do Batom – e percebi que tinha um universo incrível a ser explorado. Fiquei mais alguns meses na Federação enquanto fui criando laços com outras empreendedoras, apresentando meu trabalho, etc. Quando deixei a Federação já tinha mais três clientes. Lembro que pensei “deu certo”!!!!

– qual o foco da sua empresa?

Meu foco é trabalhar com Empreendedores, entender seus negócios e oferecer soluções para os problemas. É a parte do COMO FAZER que muita gente não sabe, não aprende e não tem noção de como deve ser feito.

– ela é 100% online?

Não. A internet potencializa meu trabalho, ajuda muito na divulgação, mas tenho clientes dos relacionamentos que construo pessoalmente. Acredito que tem tanta gente trabalhando pela internet que está havendo uma seleção natural de quem fica e de quem não vai se sustentar. Está no meu planejamento ter um foco mais online, com produtos e cursos para empreendedores. Mas não agora. A Consultoria exige esse olho no olho que uma reunião, até mesmo pelo Skype, proporciona. Mas não estou me negando a trabalhar pela internet….. Hehehe. Já atendi clientes na Austrália, por exemplo. Mas entendo que o meu online não é como o trabalho de muitos empreendedores que encontramos por aí.

– hoje sua renda é 100% da sua empresa?

A minha empresa paga as minhas contas. Divido o orçamento da casa com meu marido, mas posso dizer que a Consultoria me proporciona um pouco mais de tranquilidade. Não está no ideal do que eu quero. Ainda tenho alguns passos para dar e chegar até onde desejo. Mas, para quem começou em 2012, sem planejamento, completei quatro anos de empresa empatando. Em um país como o Brasil, com a crise do ano passado, avalio que o saldo é positivo.

– como é sua rotina hoje? Você trabalha em casa?

Sim, trabalho em home office, em cafés e agora tenho um ponto fixo, um escritório virtual que utilizo sempre que necessário. A minha ideia é transformá-lo em um ponto de trabalho entre uma e duas vezes por semana, para não ficar tão “presa” em casa e ter privacidade para receber clientes que desejam trabalhar questões estratégicas.

Para o próximo ano ainda precisarei fazer ajustes a minha rotina por causa do meu filho. Quero muito poder colocá-lo no colégio em turno inverso pelo menos três vezes por semana, o que me devolveria um pouco da flexibilidade que precisei abrir mão este ano com ele em casa, comigo, todas as manhãs.

Outra forma que também gosto de trabalhar e tem funcionado bem – inclusive com clientes de Porto Alegre – é pelo Skype. Quando o cliente também está em home office, a tecnologia nos salva e eu adoro.

– quais os maiores aprendizados que teve desde o início, em janeiro de 2012?

São vários. Mas o principal é que sempre existe um negócio com a sua cara para ser criado. Não vivemos mais no tempo em que rótulos são definidos e devemos aceitá-los. Por isso, tudo é possível e o céu é o limite. O que não dá é para viver uma vida que não combina com o seu propósito, com seu estilo.

– você comentou que poderia ter planejado melhor sua transição e sua vida financeira. Isso te prejudicou muito? E ao mesmo tempo serviu de aprendizado em que sentido?

Não me prejudicou. Foi um aprendizado mesmo. Se tivesse me preparado, talvez tivesse dado um gás maior no início da empresa, mas isso não significa que teria dado certo. Então, não me arrependo. É claro que não recomendo para ninguém que faça do meu jeito. É importante ter a segurança financeira do planejamento anterior. Mas, no meu caso, tinha que acontecer naquela hora e foi excelente.

– como é ser empreendedora?

É viver duas vidas em uma!!! É uma loucura, tem dias que dá desânimo, mas a maioria dos dias é repleto de conquistas, realizações e vitórias. Quando recebo o e-mail de alguém que foi atingido por uma das minhas newsletters, ou que o texto do meu blog serviu de ajuda, é a melhor recompensa. É claro que a grana precisa vir junto, mas saber que estou sendo útil para as pessoas é muito gratificante.

Por isso, para mim, empreender é um estado de espírito, um estilo de vida!!!

– quais as vantagens? 

Pra mim, a principal delas é a liberdade. Poder programar o meu dia, a minha semana, de acordo com minhas necessidades pessoais. É claro que não é todo empreendedor que consegue isso, pois tem uma loja, por exemplo, e precisa abrir no horário. Mas a liberdade de escolha, liberdade de fazer apenas aquilo que te deixa feliz. Tudo isso são benefícios de empreender.

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Com uma de suas clientes

– e as desvantagens?

– Não ter certeza sobre o retorno financeiro do próximo mês;

– Não saber se as estratégias estão corretas;

– No meu caso, que trabalho sozinha, não ter feedback de parceiros, sócios, etc. É como andar no escuro.

– que dicas você daria para quem quer empreender?

Prepare-se antes, planeje seu negócio antes de sair do seu emprego. Nem todo hobby é um bom negócio. Descubra o seu propósito de vida. O que você quer deixar de mensagem para o mundo!!

– qual seu propósito de vida?

Além de ser feliz, é ajudar os empreendedores com soluções para seus negócios. Tenho uma necessidade muito grande de compartilhar o que sei, o que aprendo, o que vejo. Acredito que o compartilhamento é o caminho do futuro e, quando vejo o retorno de uma ação sugerida por mim nos clientes, é a melhor recompensa.

– voltaria a trabalhar em emprego fixo se precisasse?

Em último caso. Mas último mesmo. Talvez meu marido não permita….hahahhaah. E não é por machismo, é porque ele diz que desde que comecei minha empresa, sou uma pessoa muito mais leve, sorrio mais, me divirto mais. Então, só voltaria para um emprego das 8h às 18h se realmente fosse a última opção da minha vida. Espero não precisar.

– enfrentou dificuldades financeiras nessa transição?

Não. É claro que a gente precisou fazer ajustes na nossa vida, mas nada absurdo. E eu tinha meu marido, que tem um emprego fixo para garantir uma segurança maior.

– se considera bem remunerada?

Como já comentei antes, a Consultoria paga as contas da empresa. As da casa, divido com meu marido. Mas meu trabalho não dá para saber, ao certo, quanto terei no próximo mês. Precisei aprender a não fazer contas muito extensas, pois posso não ter o dinheiro dali três meses. No final do ano passado fiquei dois meses sem renda, pois os clientes que estavam confirmados para iniciar a Consultoria cancelaram uma semana antes, por causa da crise.

Não posso dizer que passo necessidades e que meu trabalho é prejudicado por isso. Mas quero dar mais alguns passos para ter tranquilidade também financeira.

– tua família te apoia e te apoiou quando você decidiu mudar?

Meu marido sempre esteve ao meu lado. Ele até me incentivou na época da agência a sair antes. Ele queria que eu ficasse bem. Não tenho do que me queixar sobre isso e é uma tranquilidade saber que posso contar com o apoio dele.

– como lida com a questão do medo?

Tenho medo todos os dias. Tem momentos que ele é positivo. Há outros que não é bom, que sinto que deveria ter mais segurança. Mas tenho alguns truques que fui aprendendo ao longo do tempo para não ser tomada por essa sensação que paralisa. Tento tirar o foco daquilo que está me assustando e penso em oportunidades que posso criar para sair daquela situação. Acredito até que o medo me impulsiona para fazer coisas que talvez não fizesse.

– pra você, porque as pessoas tem tanto medo de colocar as ideias em prática?

Acredito que a insegurança do que vem pela frente é o que mais prejudica os empreendedores. Vivemos em um país que não dá para saber como será o próximo mês. Isso dificulta a pessoa tirar a ideia do papel e colocá-la em prática. Não aprendemos que o erro é algo normal da vida e que podemos/devemos aprender com eles. Fracassar é algo inadmissível no Brasil. E, esse medo de dar errado, é o que impede muitas ideias boas de irem adiante.

– o que faz com que tantas pessoas sejam infelizes em seus trabalhos, mas não façam nada para mudar a situação?

O medo do dia seguinte. Porque, vamos combinar que é muito fácil esperar o salário entrar na conta todo dia 30. Se eu não tivesse a personalidade que tenho, até eu queria viver assim. Porque a gente tem a compensação financeira para algo que nos faz infeliz. Mas não consigo.

Trabalho todos os dias, inclusive final de semana. E, muitas vezes, trabalho até 21, 22 horas. Meu marido sempre me pergunta se eu não canso. É claro que canso, mas se eu não fizer, ninguém vai fazer e o pagamento não entra na minha conta, como acontece com ele (mas ele é feliz no trabalho!). Empreender não é apenas deixar o trabalho para trás e fazer o que ama. É mudar a forma como você pensa, seu modelo mental e, isso, nem sempre é fácil ou rápido.

– o que você diria para quem quer empreender, mas tem medo de colocar as ideias em prática, não sabe por onde começar e tem medo do que os outros vão dizer. Que dica você daria para essas pessoas? 

Não basta ter uma ideia na cabeça, fazer algo muito bem e uma grana para investir. Tem que mudar o modelo mental, a forma como encara a vida, tem que saber que vai trabalhar muito e pode não receber o suficiente no início.

Indico que planeje a nova carreira antes de sair fazendo loucamente. É importante ter um aporte financeiro no início, para segurar a barra nos primeiros meses.

Tem que fazer algo que realmente gosta, porque você vai viver aquilo 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Se você vai ter um sócio, escolha muito bem. Já vi parentes romperem todos os laços por causa da sociedade, amigos de infância nunca mais se falarem por uma sociedade mal sucedida.

E não deixe o medo te paralisar. Ele vai sempre existir, mas você precisa ser maior que ele.

2 comentários em “A experiência empreendedora de Priscila Tescaro

    • 20 de dezembro de 2016 at 11:31
      Permalink

      Valeu André!

      Obrigado pela audiência. Espero que você tenha se inspirado com a história da Priscila!

      Abração!

      Responder

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