Bate-papo com Marina, cofundadora do Go Home, sobre home office

Foto: Franciele Correa

Marina e André trabalham em casa há mais de 10 anos (Foto: Franciele Correa)

Se você quer trabalhar pela internet, certamente trabalhar em casa é um dos seus desejos. O conhecido modelo de trabalho home office ganha cada vez mais adeptos. Eu conversei com a Marina Brik, do Go Home (www.gohome.com.br), site referência quando se fala em trabalhar em casa. Ela e o marido André trabalham em casa há mais de 10 anos e criaram juntos o Go Home, em 2006. Confira a entrevista completa.

– Para quem não conhece vocês, quem são André e Marina?
 No que vocês já trabalharam e no que trabalham hoje e como surgiu a ideia de criar o Go Home?


Bem, o André é publicitário e trabalha em casa desde 2003. Eu sou jornalista e trabalho em casa desde 2006. Neste mesmo ano, 2006, criamos o Go Home a partir do material que reunimos na pesquisa que o André fez antes de começar a trabalhar em casa. Pensamos que seria interessante compartilhar as dicas e as informações que reunimos com quem mais quisesse saber como era trabalhar em casa.

De lá para cá o movimento do blog (www.gohome.com.br) cresceu muito e resolvemos então em 2011 compilar as principais dicas em um livro, “As 100 Dicas do Home Office”, o primeiro sobre o assunto do Brasil. Dois anos mais tarde, lançamos outro livro, “Trabalho Portátil”, desta vez focado nas empresas que buscam uma formatação para o trabalho remoto. Também lançamos outros dois e-books, “Home Office & Filhos” e “130 Ideias de Negócios para Montar em Casa”, que é um bestseller. Hoje, conciliamos nossa carreira com o Go Home, que nos dá muitas alegrias.

O lançamento mais recente foi o Curso Grátis, o Curso Home Office Completo e o Programa de Afiliados, tudo a partir do que o nosso público nos pedia e da nossa própria experiência em mais de 10 anos de home office.


– Vocês trabalham há um bom tempo em home office. Como foi no início? Como era a reação das pessoas?

O home office ainda é muito recente no Brasil, apesar de ser praticado desde os anos 1970 nos Estados Unidos. Quando começamos, era tudo muito novo aqui no Brasil e várias pessoas próximas estranharam, desde amigos até a família.

A maioria pensa que você está trabalhando em casa porque está sem opção, desempregado, e não imaginam que pode ser uma solução a longo prazo. De qualquer forma, procuramos sempre trabalhar da forma mais profissional possível exatamente para não deixar nenhum espaço para o preconceito. Trabalho é trabalho e pode ser feito de qualquer lugar.

– Quando vocês começaram a trabalhar em home office, certamente para as empresas era algo muito diferente. Como lidavam com isso e explicavam para as empresas?

Com relação às empresas – imagino que esteja perguntando sobre os clientes – a maioria não se importa com o fato de você estar home office. Aqueles que se importam, paciência, precisam na verdade é se atualizar. Mas a dica principal é: seja profissional para não sofrer preconceito. Mostre que o seu trabalho é sério, que não é fundo de quintal.

– O que mudou desde que vocês começaram no home office?

Muita coisa mudou. A tecnologia tem favorecido muito o trabalho remoto, feito de qualquer lugar. E isso inclusive tem impactado diretamente nesta questão da quebra do preconceito com o home office. Como a maioria das pessoas já acaba trabalhando de qualquer lugar (do carro, na fila do banco, do hotel), trabalhar em casa não é tão diferente assim. Por isso, aos poucos, mais empresas e empreendedores têm optado pelo trabalho flexível para melhorar a produtividade e a qualidade de vida.

Foto: Alessandra Okazaki

Foto: Alessandra Okazaki

 

– Vocês trabalham em um escritório para os dois em casa ou cada um tem um espaço? Como foi a transição de vocês para o home office?

No começo dividíamos o mesmo escritório em casa. Agora, como resolvi arrumar o quartinho da bagunça, rs, cada um tem o seu espaço. Nossos escritórios contam com a mesma estrutura básica: mesa, cadeira, armário. O que diferencia é o estilo de cada um e os pequenos detalhes que são típicos de cada profissão. Compartilhamos a mesma impressora, que está em wifi.

– O que aconteceu ou em que momento vocês pensaram que queriam e iriam trabalhar em casa?

Tanto eu quanto o André resolvemos sair da agência onde trabalhávamos (ele em publicidade e eu em assessoria de imprensa) porque não concordávamos com as rotinas de trabalho. É um absurdo você ter que atravessar a cidade para ir ao trabalho, ter horários rígidos, trabalhar aos finais de semana, ficar doente de tanto estresse, não ser reconhecido, ver que não ter perspectiva de melhora e ficar na mesma situação. Por isso mudamos.

Como a estrutura do home office é enxuta, é possível começar com pouco investimento. E como já tínhamos experiência e contatos nas nossas áreas, assim que chegamos ao home office, já começamos a prospectar. E não paramos mais. Hoje em dia, não consigo mais me ver em um escritório tradicional. É muito bom ter a minha vida de volta, com as minhas regras. Se estamos com vontade de ir para a praia na quinta-feira, jogamos a mala no carro, pegamos os computadores e pé na estrada! Isso não tem preço.

– Como é a rotina de vocês?

Estabelecemos um horário para acordar, arrumar a casa (dividimos as tarefas), almoçar, lanchar, jantar, etc. Também temos um tempo para fazer exercícios, cada um faz o seu. Com o tempo, percebemos que o tempo no trabalho rende muito mais se você trabalhar por blocos. Durante uma hora, por exemplo, não atendo o telefone, deixo o celular no vibra, desligo o e-mail e redes sociais e trabalho 100% focada. Depois desse período, me permito um intervalo para arejar as ideias. É um método que funciona e que está detalhado no Curso Completo.

– O que o home office proporcionou para a vida de vocês?

Muita liberdade e qualidade de vida. São coisas absolutamente intangíveis e por isso mesmo maravilhosas. Podemos aproveitar a vida juntos, perto da nossa família, não perdemos tempo nem dinheiro tendo que enfrentar trânsito, filas em supermercado e férias quando todos têm que ir ao mesmo tempo. Fazemos tudo no contrafluxo.

Ganhamos muito em autoestima também, pois sabemos que as nossas vidas só dependem de nós mesmos, não corremos o risco de sermos demitidos, podemos simplesmente mudar o curso de nossas carreiras com o nosso próprio trabalho.

Sabemos hoje que somos capazes de administrar nossas vidas e nossos negócios da melhor maneira possível, sem a interferência de outros. E buscamos aproveitar o tempo da melhor forma possível. Não tem sensação pior do que ver a vida passando e não conseguir tomar as rédeas. Desse mal não sofremos.

Foto: Franciele Correa

Foto: Franciele Correa

– Vocês acreditam que as empresas estão mais dispostas a adotar o home office ou ainda é um longo caminho?

Acredito sim que as empresas têm mudado a mentalidade com relação ao trabalho em home office, mas para vermos efetivamente uma mudança nas bases, ainda vai levar um tempo. Por isso, se você quiser realmente trabalhar em casa, recomendo que pense em um negócio próprio e não fique esperando que uma empresa com política de trabalho remoto o contrate. São muito poucas ainda.

– Como foi e como é a aceitação da família e dos amigos desse modelo de trabalho de vocês?

Hoje é mais tranquilo, mas no começo estranharam. Especialmente quem é de gerações mais antigas, ou até mesmo da geração X, têm ainda aquela visão de que você tem que ter uma sala comercial com secretária, sala de reuniões, etc., para ser levado a sério. Mas isso está mudando.

Hoje, a dinâmica de trabalho é outra e as pessoas têm percebido que podem produzir muito mais e conciliar vida e trabalho trabalhando de qualquer lugar. Você pode trabalhar de uma coffee shop, um coworking, do parque, do shopping e da sua casa também. Não precisa ficar grudado na mesma cadeira, no mesmo espaço pro resto da vida.

E você vai trabalhar igualzinho, ou até melhor. As interrupções que você tem no escritório tradicional e as reuniões inúteis tiram um tempo precioso da sua vida e isso você não enfrenta no home office.

– Algumas pessoas têm medo de trabalhar em casa, procurando trabalhos, por acharem que não vão conseguir trabalho. Que dica vocês dariam para essas pessoas?

Sempre recomendamos que comece o seu trabalho em paralelo ao emprego atual. Vá aos poucos prospectando, sentindo o seu mercado, para só depois investir neste negócio. Muitos empreendedores em casa começam assim. É durante os finais de semana, nos horários de almoço e à noite que eles tocam o “plano B” que depois vai virar o “plano A”. No começo você vai ter que sacrificar o seu tempo para que este negócio comece a tomar forma, mas depois vai valer a pena. E tenha o hábito de prospectar sempre, não pode se acomodar.

– Como vocês imaginam o home office daqui alguns anos?

Imagino que esteja mais popular, mais acessível a quem quiser praticá-lo, tanto empreendedores, quanto funcionalismo público e empresas. O home office veio para ficar e é a saída mais viável para questões como mobilidade urbana, melhora na qualidade de vida e incentivo ao empreendedorismo.

– Que dicas vocês dariam para quem quer começar no home office?

Primeiro, é importante ter uma experiência prévia no que vai fazer. Trabalhe em casa durante uns três dias para só depois montar o seu escritório em casa. Durante esses dias, anote o que for precisando para depois sair e comprar só o necessário.

Avise os amigos, ex-colegas e família sobre o seu novo negócio, isso ajuda na divulgação boca a boca. Nos primeiros dias você vai estranhar um pouco a falta de colegas por perto, isso é normal. Aos poucos, passa e você aprende a valorizar o silêncio para se concentrar ou descansar.

Porém, vale lembrar que é importante manter uma interação social saudável. Então, saia uma vez por dia para ver pessoas, nem que seja ir até a esquina comprar uma revista ou passear com o cachorro. Não se isole. Tem muitas outras dicas práticas lá no Go Home. No mais, divirta-se no seu home office e sucesso!

 

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